terça-feira, 11 de maio de 2010

Obras de Manuel Bandeira, Olívia Cunha 7E/20

Ai vão alguns poemas de Manuel Bandeira:

Os Sapos
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."

Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".

Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...




O Bicho

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.


Arte de Amar Se queres sentir a felicidade de amar,
esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma. Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Consolo na praia ...


Balõezinhos

Na feira do arrabaldezinho
Um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor:
- "O melhor divertimento para as crianças!"
Em redor dele há um ajuntamento de menininhos pobres,
Fitando com olhos muito redondos os grandes balõezinhos muito redondos.

No entanto a feira burburinha.
Vão chegando as burguesinhas pobres,
E as criadas das burguesinhas ricas,
E mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.

Nas bancas de peixe,
Nas barraquinhas de cereais,
Junto às cestas de hortaliças
O tostão é regateado com acrimônia.

Os meninos pobres não vêem as ervilhas tenras,
Os tomatinhos vermelhos,
Nem as frutas,
Nem nada.

Sente-se bem que para eles ali na feira os balõezinhos de cor são a
única mercadoria útil e verdadeiramente indispensável.

O vendedor infatigável apregoa:
- "O melhor divertimento para as crianças!"
E em torno do homem loquaz os menininhos pobres fazem um
círculo inamovível de desejo e espanto.




Manuel Bandeira, Olívia Cunha 7E/20


Manuel Bandeira
Data de nascimento: 19 de Abril de 1886
Data de falecimento: 13 de Outubro de 1968 (82 anos)
Local de falecimento: Rio de Janeiro, (RJ)

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Nasceu em Recife, 19 de Abril de 1986 — Morreu no Rio de Janeiro, 13 de Outubro de 1968) foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.

Em 1903, em São Paulo, começa a frequentar cursos de arquitetura, na Escola Politécnica, e de desenho, no Liceu de Artes e Ofícios, abandonando-os em seguida, por causa da doença tuberculose. Inicia então uma viagem, em busca de tratamento, por cidades brasileiras e estrangeiras.
Numa dessas viagens, no sanatório de Clavadel, Suíça, onde ficou de 1913 a 1914, torna-se amigo do poeta francês Paul Éluard (1895 - 1952), com quem toma conhecimento da literatura de vanguarda francesa. De volta ao Brasil, fixa residência no Rio de Janeiro, onde estréia, em 1917, com o livro de poemas "A Cinza das Horas", numa edição de 200 exemplares custeada por ele mesmo. Em 1920, muda-se para a rua do Curvelo e conhece Ribeiro Couto (1898 - 1963), seu vizinho. Numa reunião na casa do poeta Ronald de Carvalho (1893 - 1935), em 1921, aproxima-se de Mário de Andrade (1893 - 1945) e Oswald de Andrade (1890 - 1954) e do crítico Sérgio Buarque de Holanda (1902 - 1982), tendo mais conhecimento das idéias modernistas dos escritores Paulista.

No ano seguinte, inicia uma intensa correspondência com Mário de Andrade. Apesar de não participar da Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo , seu poema Os Sapos, lido por Ronald de Carvalho, provoca protestos do público. É premiado, em 1937, pela Sociedade Felipe d'Oliveira pelo conjunto de sua obra. Entre 1938 e 1943, leciona literatura no Colégio Pedro II e, em 1940, é eleito membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). A partir de 1943, leciona literatura Hispano-americana na Faculdade Nacional de Filosofia, onde permanece até 1956.

Em 1966 recebe, em Brasília, a Ordem do Mérito Nacional, por ocasião dos seus 80 anos de idade. Morre em 1968, no Rio de Janeiro. Além de poeta, Manuel Bandeira exerce uma intensa atividade como cronista, crítico de literatura, cinema e artes plásticas, antologista, ensaísta e tradutor. Sua obra, marcada por aparente simplicidade, vale-se do apuro técnico e musicalidade ao tratar de temas do cotidiano. Vinculado ao modernismo, nunca deixa de lado as formas tradicionais como sonetos, redondilhas, baladas...

segunda-feira, 15 de março de 2010

A música do bumba meu boi-Atena 7E/3

A música do bumba meu boi é muitas vezes caracterizada pela sua simplicidade e lentidão.Devido a tanto tempo que se passou,o nome de seus compositores foram esquecidos e muitas canções ainda estão associadas ao seu lugar de origem,como o fado e o vira, de Portugal.As canções lendárias são geralmente de origem semi-conhecida, às vezes literária, e têm caráter poético. Expressam os acontecimentos interpretados através da perspetiva do cantor.Muitas delas ainda podem ser encontradas em brincadeiras infantis,como cantigas de roda.

Aqui estão alguns instrumentos usados nas canções:

maracá:instrumento feito de lata, cheio de chumbinhos ou contas de Santa Maria. É um instrumento de origem tanto africana como indígena;

matraca:feita de madeira, principalmente pau d'arco, é tocada batendo-seuma contra a outra;

pandeirão:pandeiro grande, coberto geralmente de couro de cabra. Alguns tem mais de 1 metro de diâmetro e cerca de 10 cm de altura. São afinados a fogo.

tambor onça:É uma espécie de cuíca, toca-se puxando uma vareta que fica presa ao couro e dentro do instrumento. Imita o urro do boi, ou da onça.





Fotos - postado por Rafaella nº20


Boi -




Mosaico do bumba meu boi , RJ










Quadro representando a dança do bumba meu boi , na festa Junina .

Bumba meu boi - Introdução postado por Rafaella nº 24

O bumba meu boi , foi uma dança muito interessante de estudar, porque ela "muda" de região pra região , por exemplo : no maranhão , no rio grande do norte, e em Alagoas, a dança é chamada de bumba meu boi , no pará e em amazonas , boi calemba e na bahia , boi-janeiro .
Acontece a mesma coisa com os personagens, embora a base seja a mesma , vira e mexe, uma cultura os chama de um jeito diferente. A história base, é de um rico fazendeiro , que tem um boi lindo , e que ainda por cima sabe dançar . Mais um dia , o boi é roubado pelo pai Chico, seu empregado , para satisfazer sua mulher, Catrina , que estava grávida e com vontade de comer língua de boi , depois de um tempo procurando , os outros empregados do fazendeiro , encontram o boi , e logo após o fazendeiro descobrir a causa , do roubo , ele desculpou o pai chico , e a festa celebra isso , tanto a recuperação do boi , como o fato de que o fazendeiro perdoou o pai chico . Os personagens , são humanos e animais , e geralmente, as meninas , são representadas por homens travestidos, ou seja, homens vestidos de mulher .... A dança hoje é tão popular, que é muito dançada pelas crianças em festas juninas escolares .

Personagens e Origens, por Bianca nº4

Personagem principal da festa, o Boi
















Origens:
A festa do boi bumbá demonstra o contraste entre a fragilidade do homem e a força de um boi. Ela surgiu no nordeste do país, no estado do Maranhão, mas o Amazonas fez algumas mudanças na festa.
Ao espalhar-se pelo país, a festa do bumba-meu-boi teve nomes, ritmos, apresentação, personagens, instrumentos, fantasias e temas diferentes. Enquanto no Maranhão, Rio Grande do Norte, Alagoas e Piauí é chamado bumba-meu-boi, no Pará e Amazonas é boi-bumbá, em Pernambuco é boi-calemba, no Ceará é boi-de-reis, boi-surubim e boi-zumbi, na Bahia é boi-janeiro, boi-estrela-do-mar, no Paraná e em Santa Catarina, é boi-de-mourão, em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Cabo Frio e Macaé é folguedo do boi, no Espírito Santo é boi-de-reis e no Rio Grande do Sul é bumba, boizinho.
Personagens:
Os personagens são homens e animais. E estes são alguns dos personagens :
Amo: representa o do dono da fazenda, comanda o grupo com ajuda de um apito
Pai Chico, Mateus: É um empregado da fazenda que rouba o boi para atender os desejos de sua mãe Catirina, na maioria das vezes o papel dele é cômico.
Mãe Catirina: É uma negra, que em algumas festas é a mulher do Pai Chico (Mateus), que finge estar grávida colocando enchimento na barriga e sempre deseja comer língua de boi.
Boi: É o principal da festa, é feito de uma armação de madeira, coberto de veludo bordado, prende-se a armação uma saia com tecido colorido. E há uma pessoa que fica dentro, conduzindo o boi, que se chama miolo do boi.
Vaqueiros: Em algumas festas existe o primeiro vaqueiro que encarrega outras pessoas a acharem o pai Chico e o boi sumido.
Indíos, indías e cablocos: Tem a missão de achar Chico e prende-lo

A festa do Bumba meu Boi

Roupas da Lenda Bumba Meu Boi, por Olívia n.:20/7E

Boi : é a principal figura, consiste numa armação de madeira em forma de touro, coberta de veludo bordado. Prende-se à armação uma saia de tecido colorido. A pessoa que fica dentro e conduz o boi é chamado miolo do boi;
Mãe Catirina ou Catirina : Coloca enchimento na barriga para parecer que está gravida;
Burrinha : a burrinha fica pendurada nos ombros do brincante por tiras similares à suspensório;
Índios, índias e caboclos: Na apresentação do boi proporcionam um belo efeito visual por suas roupas coloridas. Alguns bois, principalmente os grupos de sotaque da ilha, possuem o caboclo real, ou caboclo de pena, que é a mais rica indumentária do boi;
Cazumbá : Usa batas coloridas e mascaras de formatos e temática muito variada. Não são todos os grupos de bumba-meu-boi que possuem cazumbás;